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O Ambiente do belo e o pluralismo nas artes visuais. Inspirações para uma atualização da """"Crítica da Faculdade de Julgar Estética"""" de I. Kant

MIGUEL GALLY DE ANDRADE

Tese
Autor
MIGUEL GALLY DE ANDRADE
Orientador(a)
GUIDO ANTONIO DE ALMEIDA
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2007
2007MIGUEL GALLY DE ANDRADE. O Ambiente do belo e o pluralismo nas artes visuais. Inspirações para uma atualização da """"Crítica da Faculdade de Julgar Estética"""" de I. Kant. 2007. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): GUIDO ANTONIO DE ALMEIDA.2

A tese central deste trabalho é a de que o belo tem uma importante tarefa sistemática a cumprir no contexto do pluralismo das artes visuais. A arte visual contemporânea é plural, mas tem apresentado uma grande ênfase quanto à orientação conceitual que ela pode assumir, a ponto de reproduzir no âmbito da teoria uma fobia a elementos estéticos e à beleza como ponto de partida para se entender a experiência de arte. Para realizar uma aproximação entre a estética supostamente fora de moda e uma teoria da arte supostamente independente da beleza, propomos uma leitura alternativa da estética kantiana, através do que chamamos de ambiente do belo. A principal proposta do ambiente do belo é pensar a teoria do belo em Kant como tendo dois grandes movimentos de composição, responsáveis pela preparação dos elementos que irão compor a estruturação do sentimento do belo. Um desses movimentos, o de exclusão, é responsável pela delimitação e pela especificação do domínio da estética, que nascia e apresentava, pela primeira vez, uma metodologia e um princípio independente com relação à moral e ao conhecimento, bem como ao prazer enquanto meramente sensível ou inteligível. É separando-se desses domínios que o belo apresenta-se como objeto de uma disciplina autônoma dentro da Filosofia. Mas, cumprida essa fase inicial, Kant dá início, segundo nossa interpretação, a uma composição positiva do sentimento do belo de acordo com um movimento de inclusão, no qual a estrutura cognitiva, a símbolo do moralmente bom e o prazer enquanto promoção da vida aparecem como traços que caracterizam positivamente tal sentimento. Do ponto de vista do ambiente do belo, é a tensão entre os elementos do conhecimento, da moral e do prazer que garantirá uma compreensão mais ampla da estética de Kant, pois inclui a possibilidade de seu formalismo próprio, mas não é limitado por ele. E é sobre a tensão entre aqueles elementos, pois que todos são acionados simultaneamente quando experimentamos a beleza, e que chamamos de tensão lúdica, que se inspira a construção da tensão que se experimenta na realização/produção da arte contemporânea. Esta segunda tensão é operativa e constitui o núcleo para a construção do ambiente da arte. Uma das inspirações originadas do ambiente do belo e que se mostrou interessante para se pensar o pluralismo das artes visuais desde o ambiente da arte é conseguir sistematizar a orientação mediato-conceitual com outras orientações (mediata não-conceitual e imediata, por exemplo) sem restringir o pluralismo alcançado. O ambiente da arte tornase um sistema da produção de arte, um sistema da atividade criadora inspirado numa leitura sistemática do belo kantiano.