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O ARGUMENTO DA ALUCINAÇÃO E O ENATIVISMO SENSORIOMOTOR

Henrique Stemmer Rodrigues

Autor
Henrique Stemmer Rodrigues
Revista
PÓLEMOS – Revista de Estudantes de Filosofia da Universidade de Brasília
Edição
11 / 23
Ano
2022
DOI
10.26512/pl.v11i23.44418
Páginas
182 - 205
Idioma
pt
2022Henrique Stemmer Rodrigues. O ARGUMENTO DA ALUCINAÇÃO E O ENATIVISMO SENSORIOMOTOR. PÓLEMOS – Revista de Estudantes de Filosofia da Universidade de Brasília, v. 11, n. 23, p. 182 - 205, 2022.1

Segundo o enativismo sensoriomotor, como elaborado por Alva Noë em Action in Perception (2004), a percepção se dá a partir do conhecimento das contingências sensoriomotoras, ou seja, de como o fluxo da sensação muda conforme um perceptor se movimenta e interage com o ambiente. Esta tese implica um comprometimento com o chamado realismo direto, segundo a qual a percepção nos põe em contato direto com o mundo. O argumento da alucinação conclui o contrário disto, que somente é possível ter contato perceptivo com o mundo através de entidades mentais, não diretamente. A principal premissa deste argumento é que alucinações são fenomenologicamente indistinguíveis de percepções verídicas. O objetivo deste texto é responder, a partir do enativismo, ao argumento da alucinação, argumentando a favor de uma concepção realista direta da percepção. Para isto, é argumentado que se segue da concepção enativista que alucinações sempre podem ser distintas fenomenologicamente de percepções verídicas.