- Autor
- Mário Maximo
- Revista
- Revista Enunciação
- Edição
- 11 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.61378/tn6b5266
- Páginas
- 1-16
- Idioma
- pt-BR
Este artigo analisa o comportamento autointeressado e as exigências de alteridade da moral. Criticam-se as tentativas de explicar como a preocupação com o outro emerge de agentes inerentemente autointeressados. A superação desse impasse é proposta via ética eudaimônica aristotélica, cujo mecanismo central é a distinção entre meios e fins: enquanto o possível conflito ocorre na disputa por recursos, a felicidade como fim não é excludente. Sob esta ótica, o problema do autointeresse é reinterpretado como um problema de maturidade política: o comportamento “tirânico” é fruto do descontrole, sendo classificado como uma etapa pré-ética e imatura. A ética, portanto, pressupõe o autocontrole, que permite ao agente definir seus interesses em acordo com a razão. Conclui-se que o domínio de si supera a dicotomia eu-outro, porque o autointeresse se escreve no horizonte da comunidade política, na qual o bem individual e o bem comum se sobrepõem.
