- Autor
- Alexandre Hahn
- Revista
- Kant e-prints
- Edição
- 21
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.20396/kant.v21i00.8681965
- Páginas
- e026004-e026004
- Idioma
- pt
O artigo investiga o papel do caráter moral como condição subjetiva indispensável para a efetividade da moralidade na filosofia prática de Kant. Seu objetivo é mostrar que, embora a lei moral seja condição objetiva da ação moral, ela é insuficiente para determinar subjetivamente o arbítrio sem a mediação de condições internas do agente. O trabalho realiza uma análise conceitual e textual das principais obras kantianas sobre filosofia prática, examinando trechos em que o filósofo trata da insuficiência da lei, da força da virtude e da formação do caráter. Como resultado, pretende-se confirmar que o caráter moral, entendido como modo de pensar (Denkungsart) consequente segundo máximas inalteráveis prescritas pela razão, fornece a estabilidade necessária para que a lei se torne motivo eficaz da ação. Além disso, evidencia-se que a formação do caráter é fruto da liberdade e que a ausência de caráter não implica neutralidade ética, mas responsabilidade por não unificar a vida moral sob princípios. Por fim, defende-se que a negligência desse aspecto antropológico enfraquece a compreensão da ética kantiana, reduzindo-a a um formalismo abstrato e ignorando como a moralidade se torna efetiva no sujeito agente.
