O começo da história. A consideração da historicidade no pensamento de Heidegger.
WAGNER DALLA COSTA FÉLIX
- Autor
- WAGNER DALLA COSTA FÉLIX
- Orientador(a)
- GILVAN LUIZ FOGEL
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2010
Nosso propósito nesta tese é investigar a questão do nexo entre a ideia de historicidade e a pergunta pela essência da verdade na obra de Martin Heidegger, delimitando o escopo do trabalho ao período em que a questão da historicidade é tratada explicitamente por Heidegger, da década de 1920 ao começo da década de 1930. Esta delimitação não se faz por ordem primariamente cronológica, mas porque é neste período do pensamento de Heidegger em que a história emerge da questão da existencialidade do ser-aí. À medida que a tarefa da analítica.existencial é tornar transparente para si mesmo o ente que nós mesmos somos, não somente a constituição historial do ser-aí é com isso explicitada, mas também que tal compreensão e apropriação de si mesmo é que perfaz cada acontecimento. Nós procuramos explicitar o sentido do acontecimento em geral em seus dois traços fundamentais: em primeiro lugar como a transmissão de uma herança e legado no sentido da assunção de uma possibilidade fáctica de ser em vista do poder-ser mais próprio do ser-aí; em segundo lugar enquanto todo acontecimento significa acontecimento da verdade do ente, ou seja, desvelamento, na compreensão de Heidegger. Porque, no entanto, a possibilidade mais própria é a morte, a qual.é absolutamente singular, e não pode ser remetida a um outro ou confiada ao mundo enquanto uma possibilidade determinada, é preciso perguntar como poderia a herança ser de fato resguardada e recuperada. O que de fato se resguarda vem a se mostrar não como um algo determinado, mas como um aceno e apelo, presente em toda lida com os entes, à tarefa de assumir a responsabilidade pela possibilidade em que já sempre nos encontramos. Nós nos propomos esclarecer este acontecimento através da interpretação heideggeriana da alegoria da.caverna de Platão, em que torna manifesto que o fenômeno concreto da historicidade - a transmissão de um legado e a assunção de uma herança - é a experiência do aprendizado.
