- Autor
- Jaqueline Feltrin Inada
- Revista
- Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
- Edição
- 1 / 01
- Ano
- 2009
- DOI
- 10.36311/1984-8900.2009.v1n01.4292
- Páginas
- 58-67
- Idioma
- pt
Em O mal-estar na cultura, Freud dedica um espaço privilegiado de reflexão para o tema da felicidade. Para o autor, a felicidade, tal como é comumente concebida pelos homens, significa obtenção de prazer. Por ser determinada pelo programa do princípio de prazer, passa a denotar, além de obtenção de prazer, evitação de desprazer. Mas esse princípio visa, sobretudo, evacuar toda a excitação presente no aparelho psíquico, o que conduz a afirmativa de que o aparelho psíquico não está voltado para produzir um estado prazeroso. Assim sendo, O mal-estar na cultura anuncia uma contradição entre aquilo que constitui o propósito dos homens em suas vidas, ou seja, a felicidade no sentido de obter prazer, e a possibilidade real dela ser alcançada, uma vez que toda a constituição psíquica está voltada para atingir o estado zero de tensão. O conceito de felicidade pode, neste sentido, ser entendido como um estado sem excitação, visto que é determinado pelo princípio de prazer.
