- Autor
- Alfredo Pereira Júnior
- Revista
- Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
- Edição
- 7 / 14
- Ano
- 2015
- Páginas
- 1-24
- Idioma
- pt
Enquanto a tradição filosófica ocidental concebeu a consciência como processo de pensamento, no qual se configura um sujeito cognitivo, pesquisas nas neurociências possibilitam novas elaborações filosóficas sobre os conceitos de consciência e sujeito consciente, apontando no sentido de uma revalorização do componente afetivo. A partir da interpretação que faço de resultados de pesquisas empíricas, proponho que a marca da consciência seja o sentir. Somos conscientes quando sentimos o significado da informação que nos atinge e circula em nosso cérebro (e eventualmente em outros subsistemas do corpo). Seria o sentimento um fenômeno puramente subjetivo, inacessível ao método científico ocidental moderno, ou um aspecto fundamental da realidade, já presente em estado potencial no mundo físico? Para o Monismo de Triplo Aspecto, posição filosófica em que se procura construir um cenário ontológico compatível com uma abordagem científica interdisciplinar, a Natureza (ou totalidade do real) se constitui de três aspectos potenciais: a matéria/energia, a forma/informação e o sentimento/consciência. Estes três aspectos se atualizam progressivamente: inicialmente, em elementos de matéria/energia no espaço-tempo, formando sistemas progressivamente mais complexos; quando há transmissão de formas entre sistemas, emerge a informação, e quando a informação afeta a estrutura material de um sistema, emerge o sentimento. Com base neste arcabouço teórico, procuro neste ensaio conceituar e discutir o sentimento como um fenômeno natural que se atualiza em sistemas que dispõem de condições apropriadas, e sugerir quais seriam estas condições, no contexto da neurociência contemporânea.
