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O cotidiano como lugar de autorrevelação

Wellington Santos Pires

Autor
Wellington Santos Pires
Revista
Revista Filoteológica - ISSN: 2763-7549
Edição
5 / 1
Ano
2025
Páginas
240-258
Idioma
pt
2025Wellington Santos Pires. O cotidiano como lugar de autorrevelação. Revista Filoteológica - ISSN: 2763-7549, v. 5, n. 1, p. 240-258, 2025.1

O presente artigo visa estabelecer um diálogo entre filosofia e visão poética do sagrado. Ele se propõe a investigar, na produção poética de Adélia Prado, a compreensão do cotidiano como um espaço de constituição da pessoa, pelo qual a existência se refunda continuamente e o sujeito se reinscreve nas temporalidades que o atravessam. Desse modo, através de uma análise de dois de seus poemas, visamos compreender como o existir cotidiano, mediado pelos espaços da vida comum, é captado como um processo de edição interior, pelo qual afeto e intelecto se abraçam. Assumindo como referencial filosófico os conceitos do pensador alemão Martin Heidegger de ser-no-mundo e de cotidianidade, exploramos a descrição de si como atividade constitutiva da identidade do sujeito. Ademais, investigamos, a partir dessa abordagem existencial do cotidiano, de que maneira a espiritualidade cristã — também atravessada por um exercício permanente de ressignificação da vida ordinária — ocupa um lugar primordial na obra da poetisa mineira.