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O dasein é espírito no mundo: reflexões sobre a morte em Heidegger e Hegel

Sinésio Ferraz Bueno

Autor
Sinésio Ferraz Bueno
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
26 / 1
Ano
2026
DOI
10.31977/grirfi.v26i1.5676
Páginas
166-179
Idioma
pt
2026Sinésio Ferraz Bueno. O dasein é espírito no mundo: reflexões sobre a morte em Heidegger e Hegel. Griot : Revista de Filosofia, v. 26, n. 1, p. 166-179, 2026.4

A recepção favorável da filosofia de Heidegger no pós-guerra decorre de sua afinidade com o processo de secularização da cultura ocidental, especialmente ao tematizar a morte como estrutura ontológica da existência, desvinculada das promessas de transcendência religiosa. Essa concepção ressoou entre intelectuais que, diante do declínio da autoridade religiosa, passaram a compreender a finitude humana sob a perspectiva do nada. Em contraste, Hegel interpreta a morte não como expressão de uma finitude ontológica, mas como momento necessário da dialética da vida do espírito, em que a finitude é superada na totalidade do Absoluto. Assim, enquanto Heidegger vincula a experiência da morte ao horizonte existencial do ser-no-mundo, Hegel a insere no movimento especulativo em que vida e morte se revelam como momentos complementares da autoconstituição da Ideia. O artigo propõe, nesse sentido, problematizar as pretensões ontológicas da filosofia heideggeriana e confrontá-las com a reflexão hegeliana sobre o dasein e a morte.