- Autor
- Claudio Cavargere
- Revista
- Princípios: Revista de Filosofia (UFRN)
- Edição
- 33 / 70
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.21680/1983-2109.2026v33n70ID37934
- Idioma
- pt
O demônio meridiano ronda a nossa época: tédio, angústia, inquietação e desespero parecem mesmo ser o mal de nosso tempo. Espectadores de nossa própria vida, tudo se nos apresenta sob a ilusória luz de um palco de teatro. Mas e se pudéssemos assumir nosso papel de atores; e se pudéssemos, no instante mesmo de nossa saída de cena, fazer voar novas vestes, retocar velhas maquiagens, bailar novos passos? Aprender a dançar no teatro da vida: talvez seja isso o que nos ensina esse demônio. Fazer do teatro o theatrum mundi em espelho: assim jogou o Barroco no lance de dados do demônio. Talvez seja esse o caminho para aliviar o mais pesado dos pesos. No baile das máscaras, o que antes era destino trágico se apresenta como cômica encenação – e no palco da história a encenação não é senão uma repetição ao infinito. Fazer da doença a própria cura – tal o que se revela no jogo da transfiguração, ou seja, da arte.
