O desafio da cognitividade: a tensão essencial entre ciência e metafísica.
FERNANDO SALGUEIRO PASSOS TELLES
- Autor
- FERNANDO SALGUEIRO PASSOS TELLES
- Orientador(a)
- ALBERTO OLIVA
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2003
Este trabalho explora o problema da interface entre o físico e o """"não-físico"""" nos diversos sistemas voltados para o conhecimento. Procura-se afirmar a necessidade do uso de uma instância metadiscursiva aferidora da legitimidade de todo discurso pretensamente cognitivo. Daí nossa adesão à posição assumida por Popper quando este dá à epistemologia o caráter de metodologia. O método científico não pode estar separado da dimensão """"meta-metodológica"""". Para nós, ciência moderna e filosofia estão funcionalmente ligadas, uma vez que não deve haver método sem metodologia. Então, o ideal galileano de uma ciência autônoma, auto-referente, não pode ser sustentado justamente porque não há como prescindir da metodologia. Partindo de uma tipologia na qual propomos estudar três classes de discursos metacientíficos, tentamos demonstrar que estes têm estrutura definida pelas respectivas visões a respeito do que venha a ser ciência. Elegemos o """"neopositivismo"""", o """"falibilismo"""" e a """"metodologia dos programas de pesquisa científica"""" como os nossos casos típicos de metaciência. Defendemos a idéia de que a opção metodológica implica sempre uma tomada de posição específica com relação ao aceite ou à interdição de algum tipo de conteúdo da metafísica a ser feito pela ciência. Antes de estudá-los, procuramos estabelecer a pertinência de se poder avaliar criticamente alguns sistemas de conhecimento pertencentes à filosofia antiga a partir de suas relações com a metafísica. Com isto, pretendemos referendar um instrumento de análise de teorias do conhecimento, calcado na relação entre conhecimento e metafísica. Em seguida, propomos que o expurgo da metafísica a ser feito pela ciência, advogado pelo neopositivismo, deva ser entendido como o caminho lógico possível de um tipo de metaciência que concebeu o discurso científico como independente de qualquer tipo de avaliação que viesse de fora da ciência. Depois, com o falibilismo, o """"lugar"""" a ser reservado à metafísica pela ciência, deve ser visto como uma conseqüência da opção de Popper no sentido de se eximir da tarefa de estabelecer critérios de significatividade para os conteúdos do discurso metafísico. Como se sabe, este limitou-se apenas a atestar o caráter de significatividade da metafísica, sem propor quais seriam as cláusulas implicadas nesta suposta significatividade do discurso metafísico. Acreditamos ser esta a razão pela qual a metafísica não pôde ser incluída nas instâncias lógicas da pesquisa, a partir da ótica do falibilismo. Daí sua proposta de divisão da ciência nas dimensões de contexto da descoberta, onde se pode usar a metafísica na criação de conjecturas a respeito da realidade, e de lógica da justificação, na qual só se testam hipóteses refutáveis, portanto livres de qualquer caráter metafísico.
