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O desejo livre em Aristóteles

Juliana Aggio

Autor
Juliana Aggio
Revista
Revista Enunciação
Edição
7 / 2
Ano
2023
DOI
10.61378/enun.v7i2.160
Páginas
24-38
Idioma
pt-BR
2023Juliana Aggio. O desejo livre em Aristóteles. Revista Enunciação, v. 7, n. 2, p. 24-38, 2023.2

O presente texto procura sustentar a hipótese de que o desejo virtuoso tal qual proposto por Aristóteles pode ser compreendido como o desejo mais livre dentre todos os tipos na medida em que o seu objeto é o bem desejado em vista dele mesmo. O argumento central é o de que esse modo de desejar é o mais livre porque aquele que assim deseja não está sob qualquer coação, mas apenas segue a sua razão autônoma e virtuosa. Aristóteles é claro ao  estabelecer os seguintes parâmetros: é preciso desejar tão somente o próprio bem e não por uma obediência servil à regra nem em vista da consequência, o que significa não condicionar o desejo à mera conformidade com a norma ou à possível consequência agradável ou não dolorosa. Segundo o filósofo, o que caracteriza o desejo virtuoso é que ele é determinado apenas pela razão do virtuoso e, por isso mesmo, é o desejo mais livre que pode existir.