Voltar para Teses
Teses

O dizer – Um ensaio desde E. Levinas e J. derrida so-bre a linguagem do Outro, da palavra e do corpo

MAGALI MENDES DE MENEZES

Tese
Autor
MAGALI MENDES DE MENEZES
Orientador(a)
Ricardo Timm de Souza
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2005
2005MAGALI MENDES DE MENEZES. O dizer – Um ensaio desde E. Levinas e J. derrida so-bre a linguagem do Outro, da palavra e do corpo. 2005. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Ricardo Timm de Souza.2

O presente trabalho tem como objetivo refletir sobre a importância do Dizer no pensamento de Emmanuel Lévinas. A partir da análise das duas obras centrais do autor, Totalité et Infini e Autrement qu’être au-delà de l’essence, buscou-se pensar a própria possibilidade de abordagem desta questão nos remetendo assim, ao problema da linguagem. Jacques Derrida cruza constantemente o texto, nos fornecendo elementos para aprofundar e problematizar com intensidade esta questão. A linguagem perpassa duas dimensões fundamentais no pensamento do autor: a dimensão do Rosto, através da palavra; e a dimensão da Subjetividade através do Dizer. Nosso intento foi mostrar a relação íntima que existe entre estas duas dimensões apresentando a palavra do Rosto como um vestígio do Dizer. A palavra enquanto uma significação que transcende o plano da manifestação provoca no sujeito um movimento de transcendência, nos remetendo ao “passado” da Subjetividade, que neste momento do encontro se transforma em resposta, pois o passado não pode mais ser recuperado. A palavra é então, ao mesmo tempo, recebida e ofertada. A palavra do Outro ecoa, assim, no corpo de uma Subjetividade tecida pela alteridade. A análise da linguagem nos põe diante de uma travessia feita de ambigüidades, de uma linguagem da ausência, pois o sujeito levinasiano não acompanhou seu começo. O que nos resta é responder ao presente, mergulharmos no incessante exercício de sempre desdizer para que o texto possa ser um lugar de acolhida, para que possa fazer justiça. A linguagem é também temporalidade, ao não fixar, perpetuando o presente, as palavras são metáforas, lugares de passagem. O encontro com o feminino, percebido tanto como metáfora como presença concreta da mulher, provoca fissuras no sujeito e na subjetividade. O movimento que vai de uma obra à outra descreve a trajetória de um sujeito (masculino) à subjetividade maternal; da paternidade à maternidade; de um sujeito seguro em sua morada à expulsão, expatriação de si mesmo. A maternidade é, portanto, a metáfora que melhor traduz o sentido do humano: carregar em si o Outro. Desse modo, a subjetividade é o não-lugar onde a responsabilidade incondicional pelo Outro nasce.