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O ESPLENDOR DO SER: A COMPOSIÇÃO DA FILOSOFIA DA DIFERENÇA EM GILLES DELEUZE (1952-68)

SANDRO KOBOL FORNAZARI

Tese
Autor
SANDRO KOBOL FORNAZARI
Orientador(a)
MARILENA DE SOUZA CHAUI
Universidade
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2005
2005SANDRO KOBOL FORNAZARI. O ESPLENDOR DO SER: A COMPOSIÇÃO DA FILOSOFIA DA DIFERENÇA EM GILLES DELEUZE (1952-68). 2005. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): MARILENA DE SOUZA CHAUI.2

Dirigindo-se aos dezesseis anos, de 1952 a 1968, que marcam para Gilles Deleuze o período de composição de sua filosofia da diferença, esta pesquisa defende, inicialmente, a tese de que Diferença e repetição não é uma ruptura com os estudos deleuzianos anteriores, mas a coroação desse período em que ele se debruçava sobre a história da filosofia. Primeiro, porque Deleuze dá um estatuto novo ao fazer história da filosofia, em que os filósofos estudados são objeto de uma prática extratextual, tratando-se essencialmente de produzir novos arranjos a partir do encontro entre os fluxos de intensidades do texto e do historiador. Segundo, porque a prática extratextual estava presente em todo o período, incluindo Diferença e repetição, e não apenas até essa obra, tampouco apenas a partir dela. Terceiro, Diferença e repetição não apenas continua os estudos anteriores, mas significa o seu ponto culminante, na medida em que ali as engrenagens conceituais, nascidas do encontro com os filósofos analisados, se compõem entre si e com elementos não-conceituais, delineando uma maquínica filosofia da diferença. Procurar-se-á comprovar essa tese a partir da abordagem de três formulações centrais de Diferença e repetição. Primeiro, a partir da crítica do negativo e do primado da identidade, elementos essenciais da filosofia da representação que se pretende ultrapassar, desde as análises do método dialético da divisão em Platão, da subsunção da diferença à quádrupla raiz da identidade, da analogia, da semelhança e da oposição, em Aristóteles, bem como a crítica da dialética hegeliana, em que a diferença está compreendida na mediação infinita da Essência que se põe a si mesma. Segundo, analisando as ressonâncias das filosofias de Hume e Bergson e da obra de Proust nos méritos e nas insuficiências das sínteses do hábito e da memória, destacando a gênese do conceito de virtual e os rearranjos, em cada caso, dos conceitos de diferença e repetição. Por fim, no modo como os conceitos de diferença intensiva e diferença individuante se relacionam com a interpretação deleuziana de Nietzsche, apontando para a síntese a priori do tempo como o eterno retorno da diferença ou como o ser unívoco que se diz daquilo que difere e que afirma sua diferença.