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O estatuto da imaginação na Teoria das Paixões de Hume

Rogério Soares Mascarenhas

Autor
Rogério Soares Mascarenhas
Revista
Argumentos - Revista de Filosofia
Edição
4
Ano
2010
DOI
10.36517/Argumentos.2.4.18972
Idioma
pt
2010Rogério Soares Mascarenhas. O estatuto da imaginação na Teoria das Paixões de Hume. Argumentos - Revista de Filosofia, n. 4, 2010.1

Uma leitura mais atenta das páginas que compõem os livros II e III do Tratado da natureza humana de Hume põe a descoberto inúmeros processos instintivos da imaginação operando livremente na produção indireta de boa parte de nossas paixões. Eles poderiam ser reduzidos à propensão imaginativa de transfigurar, de alguma maneira, a experiência. É o que ocorre, por exemplo, quando antecipamos regularidades observadas entre os fenômenos e concebemos uma regularidade maior que a constatada em observações passadas. Este falseamento da experiência pela imaginação repercute na produção de vários afetos. Na verdade, não haveria somente a possibilidade da conjugação dos processos imaginativos com a produção de paixões intensas, mas também de ligação destes com a produção das paixões calmas, conquanto a teoria das paixões tenda, por vezes, a privilegiar o aspecto "negativo" da imaginação, frente ao "positivo" sancionado pelo entendimento.