O EU COMO FLUXO: IDENTIDADE PESSOAL E O PROBLEMA DA PERMANÊNCIA
Josailton Fernandes de Mendonça
- Autor
- Josailton Fernandes de Mendonça
- Revista
- Revista Dialectus
- Edição
- 38 / 38
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.36517/2025n38id96515
- Páginas
- 08-28
- Idioma
- pt
Este artigo examina o problema da identidade pessoal à luz das transformações subjetivas e da ausência de um substrato estável que garanta a permanência do eu ao longo do tempo. Inicialmente, o texto apresenta os três principais critérios clássicos de identidade pessoal: o substancialista (alma ou ego imutável), o psicológico (continuidade da consciência e da memória) e o somático (continuidade corporal ou biológica). Após expor os limites e paradoxos dessas abordagens — especialmente diante de experimentos mentais como fissão cerebral ou teletransporte —, o artigo se volta para duas propostas filosóficas contemporâneas que oferecem alternativas significativas: a concepção de “duração” em Henri Bergson e a noção de “identidade narrativa” em Paul Ricoeur. Em Bergson, a identidade é compreendida como fluxo contínuo e qualitativo da consciência, rejeitando a fragmentação empírica do eu; já em Ricoeur, a identidade é construída simbolicamente através da narrativa, articulando mesmidade e ipseidade em um processo hermenêutico de autocompreensão. Com isso, o artigo defende que a identidade pessoal deve ser entendida como tarefa ética e simbólica, mais do que como substância ou dado empírico. A identidade, nessa perspectiva, é um processo de construção interpretativa que integra mudança e permanência, conferindo sentido e responsabilidade ao longo da vida.
