Voltar para Artigos
Artigos

O Filósofo e seus cr´íticos: Um diálogo sobre o revisionismo de Rorty à filosofia de John Dewey

Edna Maria Magalhães do Nascimento NASCIMENTO

Autor
Edna Maria Magalhães do Nascimento NASCIMENTO
Revista
Princípios: Revista de Filosofia (UFRN)
Edição
33 / 70
Ano
2026
DOI
10.21680/1983-2109.2026v33n70ID40631
Idioma
pt
2026Edna Maria Magalhães do Nascimento NASCIMENTO. O Filósofo e seus cr´íticos: Um diálogo sobre o revisionismo de Rorty à filosofia de John Dewey. Princípios: Revista de Filosofia (UFRN), v. 33, n. 70, 2026.3

Ao construir sua hipótese interpretativa sobre John Dewey(1859-1952), o filósofo estadunidense Richard Rorty (1931-2007), considerado um continuador da doutrina pragmatista, atribuiu ao nosso autor duas personalidades conflitantes: O Dewey “bom” e o Dewey “mau”. Em sua interpretação do pragmatista pioneiro, Rorty não considera adequado que Dewey reconstrua conceitos da filosofia tradicional como ciência, natureza, experiência e método. Rorty pensa que se Dewey tivesse abandonado tais projetos estéreis poderia ter criado argumentos mais persuasivos e adequados contra a filosofia canônica. Ao constatar que Dewey não abandonou esses projetos, Rorty o classifica como o “Dewey mau” e o reprova. Mesmo assim, ele não se cansa de elogiar um suposto “Dewey bom”, que foi crítico da evidência, do fundacionismo e dos dualismos. Em sua tentativa de “linguisticizar” Dewey, Rorty quer demonstrar que o “jovem Dewey” foi o Dewey “mau”, pois, conforme Rorty, ele tentou seguir Locke e Hegel e ainda permaneceu no kantismo. Assim,  atribui ao “velho Dewey”, a qualidade de “bom”, uma mudança de atitude que seria mais coerente com a sua doutrina: a realização de estudos sócio, educacionais e culturais sobre os problemas filosóficos em seus contextos específicos. Nossa tese, sintetizada neste artigo, consiste em argumentar que não nos parece adequada a hipótese de que haja um “primeiro” e um “segundo” Dewey. A estratégia interpretativa de Rorty não é aceita por nós porque desfigura a obra do pragmatista clássico, considerando que deve ser aceita apenas a dimensão historicista de seu pensamento e não a dimensão científica. A nosso ver esta interpretação pretende ocultar a categoria nucleadora obra de Dewey que é a experiência. Rorty escreveu que a contribuição que Dewey ofereceu ao pensamento filosófico foi a de ser crítico da tradição. Desse modo, a pretensão deweyana de oferecer uma metafísica, caracterizada pela descrição da realidade e pela descoberta dos traços gerais dela, a fim de iluminar as pesquisas e investigações futuras, foi rejeitada por Rorty. Com base neste contexto, pretendemos resgatar um diálogo que Rorty propõe ao seus críticos no livro Rorty and pragmatism. The philosopher responds to his critics (1995), especialmente, com James Guilonck. Quanto às questões colocadas por Hartmann e Kremer, a nossa crítica em desfavor destes dois autores consiste em argumentar contra a estratégia rortyana de cindir Dewey em dois e, por fim, sustentamos uma interpretação que articula às duas dimensões da filosofia deweyana: a historicista e a cientista.