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O gênio maligno cartesiano como expressão da equipolência pirrônica

Maíra de Souza Borba

Autor
Maíra de Souza Borba
Revista
Philósophos - Revista de Filosofia
Edição
30 / 1
Ano
2025
DOI
10.5216/phi.v30i1.81581
Idioma
pt
2025Maíra de Souza Borba. O gênio maligno cartesiano como expressão da equipolência pirrônica. Philósophos - Revista de Filosofia, v. 30, n. 1, 2025.3

O presente artigo tem por objetivo estabelecer uma comparação entre o gênio maligno cartesiano e um dos preceitos mais fundamentais do ceticismo pirrônico: a equipolência (isostheneia). Deixando em segundo plano a investigação histórica relativa às fontes cartesianas no que diz respeito ao ceticismo – mas considerando a diferenciação entre ceticismo pirrônico e acadêmico, e a apropriação feita por Descartes dessas duas tradições –, busca-se traçar um paralelo entre o papel desempenhado pelo gênio maligno nas Meditações e a equipolência pirrônica. Para tanto, realiza-se um contraponto à noção de probabilidade (pithanon), fundamental para o ceticismo acadêmico. Dessa forma, intenta-se oferecer uma perspectiva sobre o gênio maligno que não o considera um ponto de distanciamento entre Descartes e o ceticismo, mas o estabelece como um ponto de convergência. Essa interpretação é fundamentada, sobretudo, nos conceitos de equipolência, suspensão do juízo (epoché) e probabilidade.