- Autor
- Maria do Céu Fialho
- Revista
- Revista Archai
- Ano
- 2015
- DOI
- 10.14195/1984-249X_14_2
- Páginas
- 21
- Idioma
- pt
Medeia representa a mais antiga das peças euripidianas em que o panegírico de Atenas como espaço de harmonia e espelho de valores gregos está presente. Tendo em conta o horizonte histórico da sua representação ”“ o início da Guerra do Peloponeso e uma das suas causas próximas, os confrontos bélicos com Corinto - o contraste Creonte/Egeu confere a esse panegírico uma natureza publicitária. Nesse horizonte sobressai a crítica euripidiana ao comportamento ético grego, na figura de Jasão, que transgride juramentos, pactos de fidelidade, confirmados pelo apertar da mão direita e consubstanciados no leito, espaço de geração dos filhos, bem como transgride a reciprocidade de philia, que é base das relações sociais e no oikos. Por isso Medeia, a bárbara que se esforçou primeiro por se aculturar, radicaliza o seu sentimento de não pertença à Hélade. Eurípides equaciona já aqui a subversão do binómio Grego/Bárbaro.
