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O humanismo personalista de Emmanuel Mounier e a repercussão no Brasil

Carlos Roberto da Silveira

Tese
Autor
Carlos Roberto da Silveira
Orientador(a)
Carlos Arthur Ribeiro do Nascimento
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2010
2010Carlos Roberto da Silveira. O humanismo personalista de Emmanuel Mounier e a repercussão no Brasil. 2010. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): Carlos Arthur Ribeiro do Nascimento.2

O personalismo de Emmanuel Mounier (1905-1950) surgiu diante de uma condição histórica permeada por grandes desordens. Dentro do contexto de humanidade em crise, Mounier promoveu sempre a pessoa. Defendeu uma retomada dos inalienáveis direitos humanos, abriu vias para o universo ético da pessoa em seu tempo e lugar. Propôs um despertar, um desabrochar de existência verdadeiramente humana feita de imanência e transcendência. Assim desperta, a pessoa, ser-no-mundo e com-o-mundo, assume a humanidade, recusa a passividade e o conformismo diante das ameaças alienantes de qualquer natureza. Elegendo-se, compromete-se numa luta permanente para humanizar a humanidade. Sua filosofia, que une reflexão e ação, chegou às “outras margens do Atlântico” e teve progressivamente repercussão no Brasil a partir da década de 50. Momentos de grande produção intelectual, cultural, filosófica, política e social foram vividos como jamais visto na História do Brasil. Tudo foi interrompido pelo “Golpe Militar” de 1964: chegava ao fim a primavera dos tempos de libertação, de educação e de cultura centrada na dignidade da pessoa humana. Ao furtar a lógica das estações, iniciava-se um longo período de inverno sombrio. Período que jamais pode ser esquecido, embora atualmente, tudo se faça para rejeitar este passado vergonhoso. Ainda que sob o punho de ferro da ordem totalitária (desordem estabelecida), o personalismo no Brasil na década de 70 conseguiu manter a centelha acessa, através de uma incoativa trincheira de um pensar mais especificamente filosófico. Com o passar do tempo, ao sintonizar os dias atuais, nota-se que novos episódios contra a dignidade humana ocorrem diariamente. Não é estranho pensar que, aludindo no início do século XXI ao enfoque defendido por Mounier, venha-se a redescobrir que a idéia de pessoa pode contribuir muito para o nosso tempo. O pensamento de Mounier sobre a pessoa pode fornecer subsídios para um despertar pessoal que abarque os outros, promova uma ética de responsabilidade e traga consigo, nas estruturas de seu universo pessoal, a novidade, tão necessária a uma comunidade (comum-unidade) que precisa urgentemente entender-se como planetária