- Autor
- Lidia Maria Rodrigo
- Orientador(a)
- Luiz Benedicto Lacerda Orlandi
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 1996
Este trabalho examina a crítica de Maquiavel ao imaginário moderno sobre o poder para mostrar que a contraposição estabelecida pelo autor entre imaginazione e verità effettuale não implica na desqualificação da primeira nem resulta na proposta de uma sociedade tornada transparente pela desmistificação de suas capas imaginárias. Descobrindo no imaginário do poder - mesmo quando falso e ilusório - o poder do imaginário Maquiavel procura instrumentalizá-lo com vistas à efetivação do seu projeto de regeneração do Estado. A análise das representações coletivas sobre o poder político e a força militar, bem como a crítica a elas, baseia-se em algumas das principais obras do autor [O Príncipe, Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio e A Arte da Guerra], privilegiando as articulações discursivas e estruturas argumentativas relativas ao tema abordado. Na impossibilidade de dissociar os dois aspectos, visto que, em Maquiavel, o imaginário do poder revela-se como poder do imaginário, a estruturação do trabalho optou por outras demarcações, compreendendo três grandes divisões: a quetão do imaginário no principado, no âmbito militar e na república. A constatação de que os homens julgam pelas aparências e se deixam enganar operacionaliza-se na formulação de uma estratégia do imaginário, fundamental ao exercício da política enquanto arte de comandar. Tal estratégia - posta em prática tanto para legitimar o poder usurpado pelo """"príncipe novo"""" quanto para construir o Estado como unidade política voltada para o bem comum, instituindo uma coexistência ordenada dos umori opostos - acaba promovendo a reincorporação da imaginazione à verità effettuale pelo estabelecimento entre ambas de uma diversa do conflito que as divorciava no regime de produção das ilusões de poder.
