- Autor
- Matheus Marcus Gabriel Mellado
- Revista
- Trilhas Filosóficas
- Edição
- 18 / 2
- Ano
- 2026
- Idioma
- pt
Este trabalho tem como finalidade demonstrar que, na filosofia de Edmund Husserl, a lógica não pode ser fundada a partir de elementos naturalistas ou psicologistas. Veremos que seu pensamento pressupõe a referência como a expressão da evidência entre o percebido e o conceituado. Podemos verificar que o projeto geral de Husserl nos Prolegômenos Para Uma Lógica Pura, busca estabelecer os meios basilares para a investigação científica em geral a partir da possibilidades de uma lógica pura. Além da fundamentação dessa disciplina, seria necessário delimitar uma esfera de subjetividade pura que sirva de substrato para essas determinações da lógica pura. Tal dispositivo, que ligaria a lógica ao mundo, seria a noética, campo de investigação da fenomenologia pura descritiva. Contudo, há um limite da fenomenologia esboçada nos Prolegômenos e nas Investigações Lógicas, pois ambos a retratam como um mero instrumento auxiliar da lógica pura. Isso faz com que a subjetividade se torne apenas um meio de validação, ou não, das categorias abstratas e unívocas. Essa problemática seria sanada apenas em Ideias I, obra na qual Husserl sistematiza o método fenomenológico da redução, delimita o domínio da subjetividade transcendental e estabelece a referência por meio da relação entre as estruturas noéticas e noemáticas.
