- Autor
- Mariana Andrade
- Revista
- Revista Ideação
- Edição
- 1 / 42
- Ano
- 2020
- DOI
- 10.13102/ideac.v1i42.5067
- Páginas
- 373-395
- Idioma
- pt
Em Sobre verdade e mentira no sentido extra-moral, Nietzsche põe em evidência o esquecimento ou apagamento da gênese metafórica da linguagem. Segundo o filósofo, a linguagem seria como que um cemitério de metáforas: metáforas mortas e engessadas nos conceitos ao ponto de esquecerem a si mesmas enquanto metáforas e se tornarem “verdades”. Gostaríamos, então, nas pegadas das possibilidades aventadas por Nietzsche, de desenterrar uma dessas metáforas esquecidas da linguagem: explorar a relação originária, etimológica e metafórica, entre texto e tecido. Ora, todas as atividades associadas à tecelagem e à costura foram, histórica e culturalmente, relegadas às mulheres e relacionadas ao universo feminino. Suspeitamos, e é este o sentido do presente ensaio, que esse esquecimento esconda também uma relação entre a escrita e o feminino que foi apagada e suplantada ao longo da história. O nosso esforço será, então, o de trazer à tona as múltiplas constelações entre o feminino e a escrita. Para realizar tal tarefa, nossa investigação percorrerá o seguinte trajeto: partindo de um primeiro excurso pelo pensamento nietzschiano seguiremos, num segundo momento, por um desvio de resgate metafórico pela mitologia grega e desembocarmos, por fim, na defesa da écriture féminine realizada pelas filósofas Luce Irigaray e Hélène Cixous.
