O messianismo profano da forma-de-vida.: Considerações sobre a ética do resto de Giorgio Agamben
Caio Paz
- Autor
- Caio Paz
- Revista
- PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
- Edição
- 14 / 31
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.26694/pensando.vol14i31.4043
- Páginas
- 65-79
- Idioma
- pt
Este artigo procura articular as considerações que o filósofo italiano Giorgio Agamben faz sobre o sintagma “forma-de-vida” às formulações messiânicas que ele apresenta em diferentes livros. A noção de forma-de-vida está ligada à outra noção, a vida nua. Aquela é uma profanação desta e resulta, portanto, da nulificação da operação que separa e hierarquiza no viver as diferentes capacidades da vida. Para o pensador italiano, profanar a vida nua significa lembrar que a forma de viver do humano é antes e sobretudo as suas possibilidades, significa exibir a contingência histórica que a produziu e a realização mesma dessa contingência. Esse gesto de exibição da contingência têm um caráter messiânico, já que, para Agamben, o messianismo poderia ser definido como uma vocação que revoga toda vocação. Nesse sentido, a partir desse gesto de nulificação, este artigo pretende mostrar como o que seria a ética agambeniana do resto e como nela está presente uma série de categorias messiânicas.
