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O MÉTODO DE ANÁLISE EM DESCARTES: DA RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS À CONSTITUIÇÃO DO SISTEMA DO CONHECIMENTO

CÉSAR AUGUSTO BATTISTI

Tese
Autor
CÉSAR AUGUSTO BATTISTI
Orientador(a)
JOSÉ RAIMUNDO NOVAES CHIAPPIN
Universidade
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2000
2000CÉSAR AUGUSTO BATTISTI. O MÉTODO DE ANÁLISE EM DESCARTES: DA RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS À CONSTITUIÇÃO DO SISTEMA DO CONHECIMENTO. 2000. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): JOSÉ RAIMUNDO NOVAES CHIAPPIN.2

O presente estudo tem por objeto a metodologia cartesiana e se propõe determinar sua natureza, características determinantes, seu modo de atuação, bem como a tradição dentro da qual ela se inscreve e sua abrangência nos diversos campos do saber. A tese central a ser defendida consiste em vincular Descartes aos antigos geômetras gregos, praticantes do método conjunto de análise-e-síntese, e afirmar que, como tal, seu método se configura como uma arte de resolução de problemas. Com esse propósito, depois de mostrar que não se pode assumir como sua fonte de inspiração seja a matemática tomada indiscriminadamente (sem se atentar para a distinção e separação entre o procedimento analítico-sintético e a exposição meramente sintética, exemplificada pela obra euclidiana), seja a teoria das operações do espírito (na medida em que a dedução se reduz à intuição e esta última é absolutamente simples, primitiva e, desse modo, inanalisável), a primeira parte da pesquisa estuda o método de análise-e-síntese dos antigos e o procedimento algébrico dos modernos, para, em seguida, mostrar como Descartes incorpora e aprofunda a racionalidade operatória lá dectada, como ilustra seu tratamento ao famoso problema de Pappus. Em seguida, na sua segunda parte, são investigadas as Regulae, obra que complementa teoricamente o que a Géométrie ilustra operacionalmente. Na terceira parte, são examinados alguns textos físicos de Descartes. No primeiro momento, o exame do Monde ou Traité de la lumière mostra tanto a fecundidade do método de análise-e-síntese na compreensão de um problema (o da luz), quanto o nascimento do sistema físico cartesiano a partir do estudo de um caso particular (do exame de um pedaço de madeira em chamas). Por sua vez, o caso da explicação do fenômeno do arco-íris (Discurso VIII dos Météores), como o próprio Descartes reconhece, é por excelência -e, como tal, é examinado - o exemplo metodológico dos Essais físicos que se seguiram ao Discours. Finalmente, na última parte, é feito primeiramente um estudo sobre as diferenças de alguns termos empregados pelas Secondae responsiones (a priori e a posteriori) e por sua versão francesa, as Secondes réponses (ir das causas aos efeitos e dos efeitos às causas), por ocasião da caracterização do método de análise (já sem sua segunda etapa, a síntese) e do de síntese (conforme o paradigma euclidiano). Em segundo lugar, as Meditationes são examinadas, na medida em que empregam a análise e enquanto se constituem em um exemplo metafísico de ilustração do método. Em definitivo, Descartes, sob a perspectiva metodológica, é visto como pertencente à tradição dos geômetras gregos, praticante da análise, essa arte de resolução de problemas, ao mesmo tempo em que estende sua abrangência e a atuação para áreas distintas, como a física e a metafísica. Além disso, como mostra magistralmente o exame do Monde, é a partir da atuação do método, assim entendido, que nasce, em grande parte, o próprio sistema do conhecimento.