- Autor
- Rafael Garcia
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 17 / 2
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.36517/arf.v17i2.94942
- Páginas
- 10-30
- Idioma
- pt
Este artigo visa jogar luzes sobre um momento preciso na trajetória intelectual de Cassirer: a transição de sua fase berlinense para o início de sua fase hamburguesa. Essa é talvez a transição mais marcante da obra de Cassirer, porque representa o início da fase mais importante e produtiva de sua carreira, na qual o autor concebe sua Filosofia das formas simbólicas. Mas Vamos aqui focar em alguns aspectos dessa transição que dizem mais respeito à consolidação da fase berlinense e que nos colocam precisamente no limiar do projeto da filosofia das formas simbólicas. Assim, pretendemos fotografar os momentos imediatamente anteriores àquele que Cassirer designa no prefácio do primeiro volume da Filosofia das formas simbólicas como a ampliação do campo epistemológico da crítica da razão em crítica da cultura. Pretendo assim mostrar os pontos em que se evidenciam as confluências das diversas frentes de investigação de Cassirer até então e apontar a germinação de sua grande obra. Por esta via, defendemos designar à última obra de Cassirer no período berlinense, Kant - vida e doutrina – o estatuto não de um escrito meramente de ocasião, como o próprio autor sugere quando o toma por um “volume de comentário e adendo” destinado àqueles que se encontram em meio aos estudos da filosofia crítica; em vez disso, propomos que a tomemos como o mais detido estudo sobre o método transcendental aplicado à reconstrução das estruturas fundamentais do programa crítico. E por conseguinte, defender que essa obra é um precioso legado filosófico e didático da Escola de Marburgo. Para tanto, discorreremos sobre como Kant - vida e doutrina é estruturado em torno do método transcendental enquanto princípio de reconstrução do programa crítico e fio condutor da exposição da obra.
