Voltar para Artigos
Artigos

O mistério da encarnação em Gabriel Marcel

José André de Azevedo

Autor
José André de Azevedo
Revista
Argumentos - Revista de Filosofia
Edição
4
Ano
2010
DOI
10.36517/Argumentos.2.4.18978
Idioma
pt
2010José André de Azevedo. O mistério da encarnação em Gabriel Marcel. Argumentos - Revista de Filosofia, n. 4, 2010.1

Partindo de um contexto de crítica ao cientificismo e racionalismo modernos, apresentando-se com um pensamento assistemático, itinerante e questionador, Gabriel Marcel afirma que a filosofia possui uma arché: a existência, ponto de partida e de referência do labor philosophicus. A partir da questão Quem eu sou? chega-se à percepção da existência (encarnação), o que nos leva, necessariamente, a uma questão ontológica (mistério do ser) e isso, por sua vez, segundo Marcel, nos remete à questão do transcendente (existência e transcendência). A encarnação, segundo Marcel, é o dado central da metafísica, pois é a mediação entre o eu e o mundo e os outros, é a consciência de mim no meu corpo e, por isso, perpassada de uma intensa comunhão ontológica (participação). A existência encarnada, assim, exige, de imediato, a questão do ser, o que leva Marcel a distinguir, na relação ontológica, mistério e problema. Na vivência do mistério, o ser humano possui algumas exigências: recolhimento, engajamento, fidelidade, esperança e amor. A vivência do mistério do ser, perpassada pela comunhão entre o meu eu e os outros, leva à afirmação de um Tu Absoluto: a transcendência. Assim, o mistério da encarnação instaura, na tradição filosófica, uma nova ordem de questionamento do homem e do mundo.