O não-ser na ontologia de Platão : um estudo da Republica, V(475 d1 - 480 a13) ao Timeu (47 e3 - 52 d4)
Anastácio Borges de Araujo Junior
- Autor
- Anastácio Borges de Araujo Junior
- Orientador(a)
- ALCIDES HECTOR RODRIGUEZ BENOIT
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2005
Este trabalho trata do problema do não-ser na ontologia de Platão, a partir dos diálogos 'República', V (475 d1 - 480 a13) e ‘Timeu’ (47 e3 – 52 d4). Com relação ao trecho da ‘República’, apresenta um exame do seu sentido ético-político – caracterizar o filósofo como aquele apto para governar a cidade fundada em argumentos racionais – assim como o seu sentido epistemológico – discriminar o ser e o parecer, ou seja, determinar a ciência e a opinião. Mas, o sentido ontológico da realidade do não-ser, estabelecido nessa passagem, não parece evidente. A pesquisa mostra, então, que há uma aporia ontológica contida na suposição da realidade do não-ser e que, esta paradoxal realidade aponta, a partir do testemunho de Aristóteles, para o diálogo 'Timeu', no qual Platão parece avançar nessa mesma aporia, ao estabelecer o não-ser como algo, originariamente, indeterminado, um ser noutro sentido, uma espécie de receptáculo que abriga em si todas as coisas que vem a ser, dando-lhes morada temporária. Dessa perspectiva, o suposto dogmatismo platônico estaria acolhendo a possibilidade de algo impensável no ser, enquanto totalidade do que é. No extremo, a pesquisa sugere que Platão, no ‘Timeu’, reconhece que a inteligência tenha sido forçada a admitir, através do conceito de chôra, o ininteligível, o mistério do ser.
