- Autor
- Izabella Tavares Simões Estelita
- Revista
- Cadernos de Ética e Filosofia Política
- Edição
- 45 / 2
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.11606/issn.1517-0128.v45i2p171-183
- Páginas
- 171-183
- Idioma
- pt-BR
O artigo tem como principal objetivo examinar o papel do urbanismo nas Leis de Platão. Assumimos como hipótese fundamental de investigação a ideia de que, na obra em questão, o desafio de pensar a realização histórica da cidade excelente envolve não apenas a elaboração de um código legislativo minucioso, mas também o desenvolvimento de um autêntico planejamento urbano, capaz de determinar a forma como deve ser efetivada a ordenação do espaço cívico e dos elementos demográficos e arquitetônicos que o compõem. Por meio da análise de como Platão concebe a instalação e a organização espacial de Magnésia, demonstramos que esse planejamento urbano não constitui um aspecto meramente técnico da fundação da pólis. Ao contrário, ele exerce uma função eminentemente pedagógica, na medida em que busca disciplinar os hábitos e promover a formação moral dos cidadãos. O urbanismo revela-se, desse modo, parte constitutiva do projeto político delineado pelo diálogo, funcionando como um instrumento de educação para a virtude.
