O PARADOXO CARTESIANO ENTRE ENTENDIMENTO E VONTADE
Lélio Braga, Aline Nascimento Braga, Maria Gilvania da Silva Alves, Shirsley Joany dos Santos da Silva, Carlos Alberto Brito da Silva Júnior, Alessandra Nascimento Braga
- Autor
- Lélio Braga, Aline Nascimento Braga, Maria Gilvania da Silva Alves, Shirsley Joany dos Santos da Silva, Carlos Alberto Brito da Silva Júnior, Alessandra Nascimento Braga
- Revista
- Saberes: Revista interdisciplinar de Filosofia e Educação
- Edição
- 25 / 2
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.21680/1984-3879.2025v25n2ID41184
- Páginas
- ENS01
- Idioma
- pt
Este ensaio adota uma abordagem analítico-filosófica para investigar o suposto paradoxo cartesiano entre liberdade ilimitada da vontade e os limites finitos do entendimento. Uma análise textual rigorosa das Meditações Metafísicas (2005), em particular a Quarta e dos Princípios de Filosofia (1997), articuladas com as correspondências de René Descartes ao Padre Claude Mesland de 1644 e 1645 e interpretações clássicas e contemporâneas, incluindo as de Lívio Teixeira (1990), Ferdinand Alquié (1969) e Michelle Beyssade (1991), revela que não há contradição. O paradoxo se desfaz ao se entender os diferentes graus de liberdade na filosofia cartesiana. Nesse sentido, a liberdade manifesta-se de quatro maneiras: indiferença negativa (ligada à ignorância), liberdade esclarecida (adesão racional à evidência), indiferença positiva (autodeterminação mesmo com ideias claras) e suspensão do juízo (prudência diante da incerteza). A conclusão mostra que, para Descartes, a vontade, embora una, manifesta-se em graus – e, quando ultrapassa ou segue os limites do entendimento, dá origem ao erro ou a verdade. Tal tensão, longe de ser uma contradição, ajuda a explicar como o ser humano pode ser livre e, ao mesmo tempo, responsável por suas escolhas. Palavras-chave: Descartes; vontade; liberdade; entendimento; erro.
