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O "Parménides" como diálogo aporético

José Gabriel Trindade Santos

Autor
José Gabriel Trindade Santos
Revista
Voluntas: Revista Internacional de Filosofia
Edição
11 / 1
Ano
2020
DOI
10.5902/2179378643307
Páginas
22 - 33
Idioma
pt
2020José Gabriel Trindade Santos. O "Parménides" como diálogo aporético. Voluntas: Revista Internacional de Filosofia, v. 11, n. 1, p. 22 - 33, 2020.2

O objetivo deste texto é evidenciar o papel desempenhado pela noção de “aporia” no Parménides de Platão. Depois de ter descrito alguns dos usos da noção nos diálogos platónicos, o texto concentra-se no Parménides, analisando: 1. O debate de Sócrates com Zenão; 2. O conjunto de objeções apresentadas por Parménides ao uso por Sócrates das noções de “separação” e “participação”, focadas em particular no “Argumento do Terceiro Homem”; 3. Algumas conclusões paradoxais resultantes das oito “Hipóteses sobre o Um”, na segunda parte do diálogo. Com o objetivo de sustentar a unidade da Obra, argumentando a favor do uso dos “resultados atingidos na II parte do diálogo para resolver os problemas levantados na I”, defendemos que o exercício de Parménides sobre o Um e os Outros propõe uma reformulação da dialética, denunciando a deficiência da prática atribuída a Zenão, de reduzir ao absurdo as consequências da hipótese “Se há muitos”. Em vez disso, o Eleata examina as consequências de “Se há Um”, mediante a relacionação do Um consigo próprio e com cada um dos Outros; depois dos Outros consigo próprios e com quaisquer outros, primeiro afirmando, depois negando, a hipótese.