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O "Parmênides" e as doutrinas não-escritas de Platão: o Uno e o Outro

Dennys Garcia Xavier

Autor
Dennys Garcia Xavier
Revista
Voluntas: Revista Internacional de Filosofia
Edição
11 / 1
Ano
2020
DOI
10.5902/2179378643315
Páginas
100 - 110
Idioma
pt
2020Dennys Garcia Xavier. O "Parmênides" e as doutrinas não-escritas de Platão: o Uno e o Outro. Voluntas: Revista Internacional de Filosofia, v. 11, n. 1, p. 100 - 110, 2020.2

Diz Cornford (em seu Plato and Parmenides: Way of truth and Plato’s Parmenides) que o diálogo Parmênides inicia “a série das obras nas quais Platão pela primeira vez confronta a sua própria doutrina com os principais sistemas dos predecessores e a submete a um exame crítico” (p. 63). Sim, mas é ainda mais: a reconstrução do diálogo à luz do método hermenêutico de Tübingen-Milão nos leva a colher a estrutura na qual se entrecruzam as visões ontológicas em três níveis, do mundo físico às Ideias e das Ideias aos Princípios primeiros. O elemento-chave do desenvolvimento estrutural não apenas teorético, mas também dramático, é o vínculo que se interpõe entre as duas partes do diálogo. Apenas a unidade entre as duas partes torna plausível e justificável o percurso dialético registrado no texto, como tentar-se-á evidenciar. A primeira parte do Parmênides traz a teoria das Ideias, mas abre mão de uma protologia. Não obstante isso, uma visão completa do texto põe em jogo o Uno e o/s Outro/Outros, fundamentos dos Princípios supremos. Buscar-se-á trazer à luz aqui os nexos estruturais da argumentação que nos leva a uma visão totalizante da realidade em Platão.