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O PENSAMENTO MUSICAL DE NIETZSCHE

FERNANDO RIBEIRO DE MORAES BARROS

Tese
Autor
FERNANDO RIBEIRO DE MORAES BARROS
Orientador(a)
SCARLETT ZERBETTO MARTON
Universidade
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2005
2005FERNANDO RIBEIRO DE MORAES BARROS. O PENSAMENTO MUSICAL DE NIETZSCHE. 2005. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): SCARLETT ZERBETTO MARTON.2

O propósito geral deste trabalho consiste em tentar justificar a seguinte afirmação: a característica mais fundamental do pensamento de Nietzsche é a sua recusa em separar música e filosofia. Indicar as conseqüências para as quais o filósofo alemão é impelido na elaboração de obras determinantes – como, por exemplo, O nascimento da tragédia, Humano, demasiado humano, Assim falava Zaratustra e O caso Wagner – implica passar em revista seus posicionamentos estético-musicais, e, em especial, suas próprias composições, já que é a partir delas que surgem e amadurecem, em nosso entender, seus experimentos filosóficos. Num primeiro momento, cuidamos de empreender uma exposição geral da metafísica schopenhaueriana do belo para, a partir da concepção de música que nela se consolida, caracterizar a filosofia do jovem Nietzsche como um ousado esforço para criar uma inovadora interpretação musical da existência (Capítulo 1). Depois, esperamos mostrar a maneira pela qual o filósofo, ao adotar e promover uma estética musical formalista, não só termina por atribuir musicalidade integral à escrita, mas também forja e põe em prática um estilo filosófico que corresponde, em linhas gerais, a um gênero musical renascentista (Capítulo 2). Por fim, procuramos indicar como Nietzsche, ao empreender uma análise fisiopsicológica das obras musicais, não apenas acrescenta um cabedal axiológico às suas descrições estéticas – contra-movimento que o conduzirá, aliás, a uma crítica radical ao wagnerismo -, mas também acaba por fazer de sua produção musical o analisador privilegiado de seu próprio filosofar (Capítulo 3).