- Autor
- CAROLINA DE MELO BOMFIM ARAUJO
- Orientador(a)
- MARIA DAS GRACAS DE MORAES AUGUSTO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2005
A República de Platão é uma obra sobre a justiça e peculiarmente a justiça é aí definida como sendo doadora de poder, de dýnamis. A República é também uma obra sobre política, sobre a construção de uma pólis justa, cuja realidade é buscada através de sua possibilidade, de sua dýnamis. Isso não é uma coincidência, até porque não parece casual que Platão dedique a parte central de seu texto (477c1-d5) para apresentar uma definição para o termo: um gênero de ente através do qual podemos o que nos é possível. Essa formulação enigmática é a proposta de um modelo que faz convergir conhecimento, compreendido como a conquista de poder através da educação, e poder político, compreendido como a possibilidade de tornar reais perspectivas políticas proporcionadas por esse conhecimento. Não obstante a circularidade dessa estrutura cria um grande problema quando se trata de sua demonstração, o que nos leva à composição dramática do diálogo e às estratégias para persuasão acerca de algo que, longe de ser auto-evidente, talvez não seja de evidência impossível: a imortalidade da alma. O desafio pode até fracassar, mas o ponto mais importante é resguardado na tentativa: a fundação de um novo gênero do discurso, a filosofia.
