- Autor
- Sandro Dau
- Orientador(a)
- Jorge Luiz Rocha de Vasconcellos
- Universidade
- UNIVERSIDADE GAMA FILHO — UGF
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2003
A tese procurará entender o funcionamento do poder-saber segundo Michel Foucault, porquanto o conhecimento dessa técnica da sociedade moderna é que possibilita-a normalizar todo o seio social, limitando a liberdade humana. Sendo assim, é por meio da discussão do poder-saber que o indivíduo fugirá ao assujeitamento normalizador da atualidade. É na compreensão da profundidade e extensão do panopticon e da confissão que se poderá entender todos os processos e táticas do poder-saber. Neste aspecto, há um abandono do sujeito constituinte do poder, bem como da noção de um poder negativo, pois a perenidade do poder encontra-se na marca característica que é a produção. Com a analítica sobre o poder, Foucault desloca-o de um centro privilegiado e coloca-o no caldeirão das transformações sociais. Por esse prisma, pode-se afirmar que o poder torna-se onipresente, não porque esteja em todos os lugares, mas porque se produz em todos os espaços microfísicos da sociedade. O poder deixa de ser algo metafísico e torna-se mais difuso e mais difícil de se combater, visto que ele metamorfoseia-se em estratégias que nem sempre são harmônicas. Quanto à hipótese repressiva cria-se uma grande confusão ao se analisar o poder, pois ele é confundido com o Estado, com regras de sujeição e com o sistema de dominação. A tarefa de Foucault é mostrar que o poder não é o que sempre foi dito e aceito: algo negativo. Ele começa por fazer notar que o poder é uma múltipla correlação de forças estratégicas e local que aumenta ou diminui conforme a sua intensidade, criando cadeias e sistemas. Por esse motivo, Foucault abandonará essa hipótese e verá o poder como positividade, não aceitando o poder local do rei, visto que o poder é relações de forças. Foucault chamará atenção para a pluralidade das forças e para as suas relações que constituem o poder. O sujeito da força não é o rei, e o seu objeto não é a sociedade, mas a própria força que não cerca e, sim, produz. O poder dura, porque se relaciona e ao relacionar-se muda e perpetua-se, daí a origem e eficácia da sua longevidade e obediência. A sua positividade é possível, pois ele não está nas mãos de um só indivíduo e sim no espaço microfísico que existe na sociedade. A compreensão da sociedade normalizadora passa pelo entendimento do funcionamento do poder microfísico e a produção de corpos úteis e dóceis. A percepção do poder microfísico sempre se dará no amplo espectro das lutas que permeiam as relações humanas. Ele não é estático, mas funciona de maneira objetiva por meio de uma multiplicidade de relações de forças, nas quais os indivíduos não são agentes passivos, mas seres operantes que podem utilizá-lo e transmiti-lo. Quanto à biopolítica, Foucault mostrará que o poder deixa o corpo do indivíduo de lado e passa a preocupar-se com o corpo da espécie, procurando tornar os comportamentos normalizados. O funcionamento da normalização social se dá através do poder-saber, por isso Foucault irá dizer que a neutralidade do saber científico é uma quimera, porquanto o saber está diretamente ligado ao poder, porém de forma nem sempre estável.
