- Autor
- Claudia Elias Duarte
- Revista
- Cadernos de Ética e Filosofia Política
- Edição
- 1 / 18
- Ano
- 2011
- DOI
- 10.11606/issn.1517-0128.v1i18p89-111
- Páginas
- 89-111
- Idioma
- pt
Este artigo pretende analisar os pressupostos que sustentam a refutação lockeana do patriarcalismo. Mostrar-se-á que as ideias implicadas na contra-argumentação de Locke – de poder paternal e de família – não partem da sua conhecida noção de liberdade humana. Contra as nossas expectativas, estes argumentos seguem outro caminho, partindo de dois aspectos da vida humana (dependência e fragilidade) que não combinam com a imagem de um homem livre, independente e capaz. Tendo isto presente, esperase ser possível concluir que alguns dos mais importantes argumentos políticos de John Locke estão fundados numa noção de infância; e que esta adquire um estatuto prático e teorético semelhante ao dos princípios de liberdade e igualdade humanas. Tal como estes, também a infância revelará um poder real para alcançar o propósito que parece percorrer os Dois Tratados, a saber, definir as fronteiras da autoridade política.
