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O potencial crítico dos bens na ética tayloriana

Taís Silva Pereira

Autor
Taís Silva Pereira
Revista
PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
Edição
16 / 38
Ano
2025
DOI
10.26694/pensando.vol16i38.6777
Páginas
110-120
Idioma
pt
2025Taís Silva Pereira. O potencial crítico dos bens na ética tayloriana. PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA, v. 16, n. 38, p. 110-120, 2025.2

A dimensão ético-política no pensamento de Charles Taylor se ancora em uma ontologia do humano constituída temporalmente pelas hierarquizações assumidas na relação inseparável entre o self e os bens. O esforço de integrar o fundamental ou “as configurações inescapáveis” da compreensão de si com o enraizamento histórico das fontes mobilizadas para dar sentido aos modos de existência compartilhados pretende resguardar tanto uma dimensão substantiva – sob a forma de bens – quanto, concomitantemente, abrir as possibilidades de novas atuações no âmbito prático. É, pois, no interior dessa relação, marcada pelo conflito, que se pode entrever o potencial crítico dos bens na ética tayloriana. Diferentemente de um ideal regulador procedimental, a proposta de Taylor é entender o escopo da crítica enquanto um constante exercício de resgate, desvelamento e conexão entre diferentes bens que podem orientar práticas comuns. Este estudo, de natureza qualitativa e abordagem analítico-hermenêutica, analisa o potencial crítico dos bens na proposta ética de Taylor a partir da perspectiva de um conflito ontológico. Para essa tarefa, o texto se organizará em três momentos: 1) Apresenta a dimensão ética tayloriana tomada em sentido amplo, isto é, marcado por um conflito de bens que são co-constituídos historicamente em sua relação inextrincável com self; 2) Analisa o lugar dos bens no interior de uma ontologia do conflito, tal como Taylor supõe; para, então, 3) Indica a proposta de uma crítica imanente enquanto exercício de articulação, conceito central no pensamento do filósofo canadense. Com efeito, nos apontamentos finais, se considerará a crítica tanto enquanto avaliação e julgamento quanto em criação de novas possibilidades de mobilização das fontes morais.