- Autor
- Clara Carnicero de Castro
- Revista
- Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea
- Edição
- 3 / 1
- Ano
- 2015
- DOI
- 10.26512/rfmc.v3i1.12500
- Páginas
- 180-189
- Idioma
- pt
Numa carta para sua esposa, Sade elogia a bizarrice e a eleva a categoria estética sob o nome de "princípio de delicadeza". Como bem observou Michel Delon, pode parecer paradoxal que aquele que prega o dever de delicadeza seja aquele mesmo cujo nome se tornou sinônimo de brutalidade. O termo, com efeito, é ambíguo e possui na obra do Marquês vários sentidos: da troca de cuidados entre Juliette e sua amante favorita, La Durand, passando por uma simples mania sexual, até chegar à fantasia "mais bizarra e mais singular de todas", aquela que depende de uma riqueza faustosa e que termina com uma pilha de corpos banhados de sangue. Trata-se aqui de, primeiro, examinar os diferentes sentidos do termo em Sade; em seguida, analisar as interpretações que Roland Barthes, Annie Le Brun e Michel Delon propõem para a delicadeza celerada; e, por fim, precisar o termo na sua relação com a prodigalidade luxuriosa.
