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O princípio do comum como apófase ao princípio da propriedade nas democracias contemporâneas

Joel Decothé Junior

Autor
Joel Decothé Junior
Revista
Trans/Form/Ação
Edição
46 / 4
Ano
2023
DOI
10.1590/0101-3173.2023.v46n4.p193
Páginas
193-214
Idioma
pt
2023Joel Decothé Junior. O princípio do comum como apófase ao princípio da propriedade nas democracias contemporâneas. Trans/Form/Ação, v. 46, n. 4, p. 193-214, 2023.3

A implicação filosófica que guia o problema aqui tratado é a seguinte: como o princípio do comum se constitui em apófase frontal ao princípio da propriedade, nas democracias contemporâneas? Não se pretende oferecer uma resposta exaustiva para esse problema. No entanto, utiliza-se a estratégia argumentativa de dividir este escrito em três seções: (i) investigar especulativamente a tensão dialética entre o princípio do comum e o princípio da propriedade; (ii) observar analiticamente a premissa que se coloca como contribuição às práticas comportamentais de individualismo exacerbado, como ato de aversão ao princípio do comum e (iii) deter-se na articulação da noção de princípio do comum, como fator que está presente no limiar entre o vulgar filosófico e o universal filosófico. Por fim, fazem-se algumas considerações que problematizam a noção naturalizada de princípio da propriedade, nas democracias atuais, tendo em vista o poder constituinte que o princípio do comum detém na perspectiva de realização do bem-estar dos agentes humanos, na vida comunitária contemporânea.