- Autor
- Marcos Camolezi
- Revista
- Revista Limiar
- Edição
- 2 / 4
- Ano
- 2015
- DOI
- 10.34024/limiar.2015.v2.9258
- Páginas
- 80-104
- Idioma
- pt
A fi m de realizar uma contribuição pontual à história do bergsonismo no Brasil, propomonos compreender a evolução da interpretação do problema da causalidade na fi losofi a de Bergson a partir de duas interpretações de reconhecida relevância. Trata-se de revisitar as obras Presença e campo transcendental, de Bento Prado Jr., e Bergson: intuição e discurso fi losófi co, de Franklin Leopoldo e Silva, à luz do problema da causalidade. Como ambos os autores compreenderam este problema, sua importância e suas consequências fi losófi cas; quais foram os modos pelos quais o colocaram e a ele responderam à medida que interpretavam a obra bergsoniana; como suas alternativas interpretativas distinguem-se e, ao mesmo tempo, complementam-se: tais são as principais questões que animam este trabalho. Bento Prado Jr. revela como Bergson tende a identifi car a causalidade ao determinismo, e como a realocação da causalidade em sua apropriada “região da realidade” exige uma releitura da primeira crítica de Kant. Por sua vez, Franklin Leopoldo e Silva faz valer a constatação de Bento Prado Jr., cujas consequências são estendidas até a conclusão de que a causalidade, na fi losofi a de Bergson, é precisamente substituída pelo conceito de criação na “região da realidade” do tempo. Segundo Franklin Leopoldo e Silva, ao passo que a causalidade simboliza adequadamente o tempo na ciência, a criação é o conceito que exprime a temporalidade da consciência e a especifi cidade da arte.
