- Autor
- Fernando Pio de Almeida Fleck
- Orientador(a)
- BALTHAZAR BARBOSA FILHO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2003
Expresso sumariamente, o problema discutido consiste em como admitir que podemos dizer o que não é sem também admitir que o que não é é, ou seja, sem admitir algo onticamente negativo (Os dois aspectos - que podemos dizer o que não é e que não admitimos que o que não é é - são tomados como aceitos em nossa concepção pré-filosófica)...A formulação do problema e o próprio título do trabalho abrigam intencionalmente uma ambigüidade: dizer o que não é pode significar: (a) dizer algo falso (dizer o que não é verdadeiro); (b) falar, ainda que verdadeiramente, sobre o que não existe (dizer o que não existe); e (c) dizer ainda que verdadeiramente e sobre o que existe, que ele não é tal (dizer o que não é tal). O centro da discussão, portanto, está em determinar se podemos falar do que não existe, falsamente ou negativamente, sem sermos obrigados a admitir um correlato ôntico do que dizemos...São distinguidas duas atitudes diante do problema (em seus três aspectos): (a) considerá-lo como um pseudoproblema ou (b) considerá-lo como um problema genuíno e, portanto, revisar nossos conceitos e/ou nossa concepção sobre o mundo, como o fez, pela primeira vez, Parmênides, negando que se possa falar do que não é e adotando um monismo estático, ou, como outros fizeram, admitir extra-ser, subsistência, falsidades objetivas, fatos negativos, negações reais, causas negativas, privações, ausências como objetos de conhecimento, obrigações negativas, contradições reais ou o nada...Como o ônus da argumentação cabe aos que defendem a segunda atitude, que é revisionista, são enunciados argumentos em favor de tal atitude, invocando a necessidade de alterações nas concepções ontológicas. Os primeiros três argumentos tratam respectivamente do não-existente, do falso e do negativamente verdadeiro, o quarto de causas e razões negativas, o quinto da privação, o sexto do conhecimento negativo, o sétimo de prescrições negativas, o oitavo de contradições reais e o nono do nada, com o que se conclui a Parte I do trabalho. ..Segue-se então - Parte II - uma análise conceitual dividida em duas seções: a primeira, mais genérica, dedicada a conceitos fundamentais relevantes na discussão posterior, e a outra consagrada especificamente aos conceitos de negação e de negativo. Na Parte III, expõe-se uma defesa da primeira atitude, isto é, a de considerar o problema como um pseudoproblema e, conseqüentemente, negar a necessidade de qualquer mudança conceitual. O trabalho encerra-se com uma seção que compreende as respostas aos nove argumentos enunciados no final da Parte I.
