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O PROBLEMA DO MAL NA POLÊMICA ANTIMANIQUÉIA DE SANTO AGOSTINHO

Marcos Roberto Nunes da Costa

Tese
Autor
Marcos Roberto Nunes da Costa
Orientador(a)
Luis Alberto De Boni
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2000
2000Marcos Roberto Nunes da Costa. O PROBLEMA DO MAL NA POLÊMICA ANTIMANIQUÉIA DE SANTO AGOSTINHO. 2000. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Luis Alberto De Boni.3

Agostinho encontrou uma primeira explicação para o problema do mal no maniqueísmo, o qual afirmava a existência de dois princípios ontológicos originantes do universo: a Luz - o Bem - e as Trevas ou a Matéria - o Mal -, atribuindo a esse a origem dos males no mundo físico. Deste dualismo ontológico-cosmológico, deduzia-se uma moral, na qual se atribuía a causa do mal no homem à parte má de sua natureza - o corpo. Com isto pensava-se isentar Deus e o homem (a alma boa) de toda responsabilidade pelo mal no universo e no homem. Vencida a fase maniquéia, Agostinho despertou, com Ambrósio e os neoplatônicos, para dois conceitos metafísicos fundamentais na sua evolução intelectual: 1 - o de """"substância espiritual"""", que o ajudava a entender a espiritualidade de Deus e da alma, contribuindo para seu reencontro com a fé católica; 2 - o de """"não-ser"""" ou """"nada"""", no qual se apoiaria, mais tarde, para superar e refutar a concepção materialista do mal dos maniqueus. Convertido à fé católica, e munido dos instrumentos conceituais do cristianismo e do neoplatonismo, criaria a sua própria resposta ao problema do mal, que, num primeiro momento, se caracterizaria por uma explicação ontológico-estética. Para tal, primeiro, alicerçado no princípio bíblico criacionista ex nihilo, defende que o Deus-Uno-Criador do cristianismo fez todas as coisas naturalmente boas, por um ato livre da vontade, a partir do nada, e tudo governa com perfeita harmonia, não havendo espaço para o mal no universo físico criado e governado por Deus. Segundo, com base no conceito neoplatônico de """"nada"""", defende que o mal não tem consistência ontológica, ou não forma uma natureza em si, mas é antes defecção, ausência de ser, ou corrupção que acontece nos seres criados, levando-os ao """"não-ser"""". Finalmente, ao explicar como o mal acontece nos seres criados, Agostinho identificaria este com o """"pecado"""", dando-lhe uma conotação moral de culpa. E aqui reside a grande virada, ou originalidade de seu pensamento, ao transformar a explicação do mal de um nível ontológico-estético, centrado em Deus (enquanto originador do universo), a um nível ontológico-ético-moral, centrado no homem. Neste caso, a origem do mal está no livre-arbítrio do homem, que por livre vontade escolhe subverter à ordem estabelecida por Deus, direcionando todo seu amor às coisas inferiores, inclusive a si mesmo, gerando o pecado (soberba), em detrimento do amor devido às coisas superiores, afastando-se assim do Criador. Eis o que nosso trabalho procura mostrar.