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O problema do ser na obra de E. Levinas

MARTINA KORELC

Tese
Autor
MARTINA KORELC
Orientador(a)
Pergentino Stefano Pivatto
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2006
2006MARTINA KORELC. O problema do ser na obra de E. Levinas. 2006. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Pergentino Stefano Pivatto.2

O presente estudo tem por objetivo a análise e a interpretação da concepção do ser nas obras de Emmanuel Levinas. O autor concebe nas suas obras vários “níveis” do ser, entre eles o do ser puro, o puro “há” impessoal e anônimo. Destaca-se a relação entre o ser e o mal, que explica a crítica da ontologia, a necessidade de pensar a evasão do ser, a procura da superação do mal no ser. O que está pressuposto é a idéia platônica do Bem além do ser: o Bem é anterior ao ser, anterior segundo uma temporalidade que não é a da consciência e do discurso, e transcende o ser; o Bem é o outro nome do Infinito, define também o conceito do “outramente que ser”. Isto significa, segundo Levinas, que o pensamento ontológico não basta para explicar a realidade, a diferença ontológica é suplantada pela diferença ética. Esta se efetua no ser a partir da subjetividade, pois é a subjetividade que não se pode compreender unicamente na sua relação com o ser. O ser é a posição, a afirmação de si, o movimento de persistência no próprio ser que, no ente humano, impõe interesse por si e indiferença diante dos outros. Contudo, na subjetividade já se inscreve, por causa da anterioridade do Bem e como vestígio da criação, a necessidade da evasão, o movimento em direção ao Infinito, movimento que desconcerta o ser e que se realiza como obrigação à responsabilidade pelos outros, anterior à livre decisão. Na subjetividade que acolhe o Outro, o ser pode transcender-se em bondade, verdade, multiplicidade pacífica, justiça.