O Pseudo-Aristóteles: a origem e o objetivo de algumas obras do pseudo Aristóteles
Jan Gerard Joseph Ter Reegen
- Autor
- Jan Gerard Joseph Ter Reegen
- Orientador(a)
- Luis Alberto De Boni
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2004
A penetração dos textos aristotélicos no mundo ocidental percorre caminhos variados, que apresentam várias fases. Entre os textos existe um número notável cuja origem aristotélica é duvidosa, ou sem fundamento. Isto não impede, porém, que alguns deles tenham exercido uma influência notável tanto no meio científica, caso quo universitário, como no âmbito popular. Três destes textos são apresentados para estudo e análise: qual é a sua origem, por que razão foram atribuídos a Aristóteles, qual a sua importância na filosofia medieval? O estudo realizado mostra uma realidade diferente para cada um dos textos analisados. O De Pomo sive de Morte Aristotelis apresenta na sua narrativa sobre a morte de Aristóteles, nos moldes dos últimos momentos de Sócrates como relatados no diálogo Fédon, o Estagirita como um grande sábio que professa a sua fé na imortalidade da alma e na criação do mundo. A Teologia de Aristóteles segue um traçado diferente. A sua influência sobre a filosofia medieval ocidental cristã é indireta, Mas, nem por isso é menos importante. Ela tem sua origem numa antiga coletânea de textos de Plotino, Proclo e Alexandre de Afrodisias e está ligada ao círculo de al-Kindi. Desta coletânea, que tinha como objetivo conduzir à fonte comum de todas as coisas, destacaram-se, entre outros, tanto a Teologia, paráfrase das Enéadas IV-VI de Plotino, como o Livro de Causas, ligado a Elementos Teológicos de Proclo, ambos considerados como uma complementação do livro ??da Metafísica de Aristóteles; daí uma das razões de sua atribuição ao Mestre de Estagira, não obstante o caráter fortemente neoplatônico da Teologia. O que une a Teologia e o Livro é o trabalho de um filósofo que tentou adaptar o seu conteúdo à fé criacionista e monoteísta, que caracteriza os livros sagrados do judaísmo, cristianismo e islamismo. O Secretum Secretorum por sua vez é mais complicado, porque reúne uma grande variação de gêneros literários, como cartas de Alexandre a Aristóteles, e vice-versa, em que são apresentados conselhos a respeito da organização do reino, das virtudes dos governantes e de seus auxiliares, como também conselhos sobre como conservar e fomentar a boa saúde; tudo isto mesclado com textos de origem hermética, Lapidários e Tratados sobre fisiognomonia.
