- Autor
- Lara Rocha, Judikael Castelo Branco
- Revista
- Cadernos Arendt
- Edição
- 3 / 5
- Ano
- 2022
- Páginas
- 135-151
- Idioma
- pt
O conceito de tempos sombrios percorre o corpus arendtiano como um fio condutor argumentativo indispensável para a compreensão das crises modernas, de um lado, e do fenômeno totalitário, de outro. Reconhecendo-os como as situações-limite denunciadas por Hannah Arendt, o objetivo do presente artigo é empreender a análise conceitual dos tempos sombrios destacados pela autora. Para fazê-lo, duas etapas serão essenciais. A primeira consistirá na definição do conceito, identificando porque ele nem é uma prerrogativa da modernidade, nem tampouco desapareceu após a queda dos regimes totalitários. A seguir, será importante apontar porque a ruptura que caracteriza os tempos sombrios pode ser considerada como a diluição da ideia de imortalidade que, ao ser essencial para a política, indica o seu declínio. Percorridas essas etapas, acreditamos que será possível tanto compreender o processo de diluição da esfera pública como apontar a possibilidade de iluminar estes períodos, promessa contida na gênese do conceito e da própria política.
