- Autor
- Priscilla Tesch Spinelli
- Revista
- Philósophos - Revista de Filosofia
- Edição
- 15 / 1
- Ano
- 2011
- DOI
- 10.5216/phi.v15i1.12359
- Páginas
- 147-167
- Idioma
- pt
Já no início da Ética Nicomaqueia Aristóteles afirma que o objetivo visado pela obra não é o conhecimento, mas a ação; um pouco mais adiante, afirma que a leitura/estudo das lições nela contidas terá sido inútil se isso não serviu para, de algum modo, tornarmo-nos melhores. O objetivo desse artigo é apresentar o que entendo como a compreensão prática que Aristóteles requer que o seu leitor/estudante tenha da EN, opondo-a a uma compreensão puramente teórica dos assuntos por ela tratados. Podemos ler a EN como um tratado apenas teórico, considerando irrelevante o fato de sermos ou não motivados a buscar uma vida virtuosa. Mas não devemos lê-la assim, segundo Aristóteles. Compreender que a vida virtuosa é a melhor implica buscar essa vida. Conforme pretendo mostrar, a exigência aristotélica que os estudantes da EN tenham sido educados nos bons hábitos para seguir adequadamente as suas lições é um forte indício para a comprovação da ideia acima. Aristóteles tinha em mente o fato que é somente em um caráter maduro que argumentos morais, mesmo que muito gerais como os presentes na EN, podem motivar a ação.
