- Autor
- Ana Paula Manoel Felipe
- Revista
- Voluntas: Revista Internacional de Filosofia
- Edição
- 15 / 1
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.5902/2179378688213
- Páginas
- e88213
- Idioma
- pt
O meu objetivo com o presente texto é relacionar o conceito de justiça apresentado por Schopenhauer no §62 de O mundo como vontade e representação com um dos mais célebres romances fundamentais da literatura ocidental, Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski. Tentar-se-á explorar em que medida o personagem principal desse romance se aproxima das definições schopenhauerianas de arrependimento e de remorso. Para tanto, pretendo destacar a importante distinção entre esses sentimentos, a injustiça incursa na mentira e a justificação moral do ato de vingança. Com isso, busca-se evidenciar a esperança dilacerada de Raskólnikov de ser o próximo Napoleão, o sentimento cada vez maior de culpa e o reconhecimento de não atender aos critérios de um homem extraordinário. A análise desses sentimentos de cunho moral diz respeito ao estudo da ética, que para Schopenhauer é extremamente relevante por se tratar da investigação das ações dos seres humanos que afetam cada um de nós.
