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O sentido da noção de sublimação na filosofia de Schopenhauer

Eduardo Ribeiro da Fonseca

Autor
Eduardo Ribeiro da Fonseca
Revista
Voluntas: Revista Internacional de Filosofia
Edição
1 / 2
Ano
2010
DOI
10.5902/2179378634125
Páginas
68-88
Idioma
pt
2010Eduardo Ribeiro da Fonseca. O sentido da noção de sublimação na filosofia de Schopenhauer. Voluntas: Revista Internacional de Filosofia, v. 1, n. 2, p. 68-88, 2010.2

Freud pensa a sublimação ("Sublimierung") como uma modificação das ações e objetos de satisfação ("Befriedigung") dos impulsos sexuais, ocasionada pela diferença entre o grau de pressão do desejo e as possibilidades de satisfação direta. A diferença entre uma coisa e outra resulta no fator que impele os impulsos rumo aos seus destinos “dessexualizados”. Estes possibilitam formas de aprimoramento da linguagem e produção de bens culturais que resultam no processo civilizatório, capitalizando as forças da sexualidade e as redirecionando para alvos socialmente produtivos. Por isso, toda atividade humana é sempre sexualizada em algum grau e visa satisfação. Mas, no caso de Schopenhauer acontece o mesmo? O filósofo da Vontade utiliza dois termos: sublimação ("Sublimierung"), que esclarece um processo de conversão, sutilização e embelezamento das representações, embora não seja feita nenhuma tentativa de sistematização diretamente como destino de impulso. Esta noção é complementada pelo conceito de sublime ("Erhabenen") presente especialmente na metafísica do belo ("Metaphysik des Schönen"), que caracteriza o homem como “ímpeto tempestuoso e obscuro do querer”, que tem a polaridade “dos órgãos genitais como seu foco”, e simultaneamente o contraste da polaridade do cérebro, que na linguagem do filósofo representa o “sujeito eterno, livre, sereno, do puro conhecer.”