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O ser em si e a poesia: Sartre leitor de Francis Ponge

Cristiano Perius

Autor
Cristiano Perius
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
18 / 2
Ano
2018
DOI
10.31977/grirfi.v18i2.914
Páginas
397-407
Idioma
pt
2018Cristiano Perius. O ser em si e a poesia: Sartre leitor de Francis Ponge. Griot : Revista de Filosofia, v. 18, n. 2, p. 397-407, 2018.2

Tomando por fio condutor o ensaio de Jean-Paul Sartre sobre Francis Ponge, “O homem e as coisas”, publicado em Situações I, este artigo visa problematizar o lugar da poesia como “voz das coisas”, isto é, a tentativa de neutralização do para si em benefício do ser em si. Fundado na metáfora da “petrificação” poética, o efeito das imagens visa a renovação da linguagem a partir do contato originário entre as palavras e as coisas. Entre as iniciativas poéticas que merecem maior  relevo, destaca-se a valorização da antilírica e a substantivação poética centrada no poder nominativo da linguagem. O exercício poético, porém, apesar de visar “as coisas mesmas” e o que Sartre chamou de “fenomenologia materialista”, tem seus limites na própria condição humana. Pela ação de projetar-se sobre as coisas o homem visa libertar a linguagem de uso pragmático e, ao mesmo tempo, pensar o objeto sem parti pris idealista.