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O SI MESMO: ENTRE PIERRE HADOT E MICHEL FOUCAULT

Felipe Capestana da Silva, Cesar Augusto Veras, Marcio Bogaz Trevizan

Autor
Felipe Capestana da Silva, Cesar Augusto Veras, Marcio Bogaz Trevizan
Revista
Synesis (ISSN 1984-6754)
Edição
13 / 1
Ano
2021
Páginas
62-76
Idioma
pt
2021Felipe Capestana da Silva, Cesar Augusto Veras, Marcio Bogaz Trevizan. O SI MESMO: ENTRE PIERRE HADOT E MICHEL FOUCAULT. Synesis (ISSN 1984-6754), v. 13, n. 1, p. 62-76, 2021.1

O presente estudo tem como objetivo aprofundar os aspectos filosóficos da relação existente entre a obra de Pierre Hadot e de Michel Foucault, no que diz respeito aos conceitos de “Exercícios Espirituais” e “Cuidado de Si”. Pretendemos analisar como Pierre Hadot interpretou a apropriação que Michel de Foucault fez do seu texto “exercícios espirituais”, ao apresentar a noção acerca da definição de “Cuidado de si”. Elucidamos as principais divergências e convergências presentes entre as reflexões filosóficas desses dois autores, que são de grande relevância para a compreensão de fenômenos da atualidade. A metodologia adotada foi a pesquisa exploratória teórico-bibliográfica, a meio caminho entre um comentário e um ensaio. Nossos estudos apontam o tema do ‘si mesmo’ como o ponto central da pesquisa, sendo o “Cuidado de Si” o viés capaz de nos conduzir ao conhecimento e, desta maneira, nos levar ao direcionamento da existência por meio da racionalidade dos “Exercícios Espirituais”. Nossos dois autores, em suas discussões a respeito do “ter cuidados consigo mesmo”, evocam em partes o pensamento dos gregos, que são a fonte da definição deste princípio. Sendo assim, nos norteará o termo “epimeleia heauton”, isto é, incumbir-se diante do mundo da vida, na prática de minuciosas e permanentes críticas diante da própria conduta. Ou seja, por meio destes exercícios espirituais conseguir assim contemplar-se racionalmente em um caminho para “si mesmo” e através de “si mesmo”. Ademais, tudo isto implica num esforço constante sobre a vontade e o desejo, afim de arquitetar no dia-a-dia uma autêntica autonomia. Não temos a pretensão de esgotar todo o assunto, contudo, a relação a ser desenvolvida nos aproximará do domínio sobre nós mesmos e nos fará refletir sobre o estado do “ter-se nas próprias mãos”.